quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Maioria ou minoria incopetentes

Para aqueles que gostam de não conseguir enxergar a realidade, ou enxergam no rei a roupa que não existe, e seguem em um otimismo inocente acreditando em modelos ou sistemas pseudo-igualitários comunistas ou mentirosos e desequilibrados, sustentados em promessas falsas e inveja de uma minoria egoísta,como o capitalista, não há nada que possa ser argumentado racionalmente que possa convencê-los, nem nada emotivo o suficiente que lhes faça trocar os mínimos egoístas confortos mundanos por uma busca de um paz maior de intensidade intangível.
Por essa razão, sobra aos que incredulamente conseguem enxergar, o árduo trabalho de formiguinha, lento, necessariamente invisível alvo fácil de críticas rápidas e xistes irracionais. Sobra também a esperança de uma mdança gradual ou o sarcasmo e a frieza da torcida de uma mudança brutal e dolorida, em virtude das drásticas consequências negativas nas questões ambientais, sociais, culturais e econômicas.

E ainda que não esteja de acordo com todas as opções e pensamentos da vida desse homem, fica a frase do dia:

A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente. Bernard Shaw

domingo, 20 de dezembro de 2009

eu e as dicas

Desde pequeno tive vontade de realizar feitos verdaideramente marcantes, revolucionários, históricos, lendários.
Sempre quis poder saber tudo, descobrir fatos e coisas realmente interessantes e ter a capacidade e o poder de revelar minhas descobertas para todos.
Também sempre questionei como alguns assusntos podiam ser tao passionais para alguns, ao ponto de ao serem debatidos, seus interlocutores fugirem completamente da razao.

Ao criar esse blog eu quis que essa fosse uma ferramenta de verdadeira integracao, comunicacao e interacao, onde meus amigos, familares e desconhecidos pudessem aqui descobrir o mundo como eu o vejo, entretanto com uma vantagem incrível, vendo apenas coisas que considero interessantes.

A cada dia que passo meu desespero cresce. Sim, apesar de externamente tranquilo, eu sou um sujeito desesperado. A cada momento o mundo e a vida me surpreendem com novidades positivas e negativas, maravilhosas, infinatamente, tornando minha busca pelo conhecimento uma batalha de fracasso já definido.

Descobri que por mais que eu saiba e descubra coisas relevantes, outras pessoas têm imensamente mais talento que eu para observar o mundo, recortar a realidade e transformá-la criando textos, artes, negócios, movimentos, atitudes, despertando sentimentos e sensacoes, liberando aquele agradável pensamento, algumas vezes esquecido, do quao bom é estar vivo.

Por essa razao, boa parte dos meus próximos post serao de dicas, tentando linkar você leitor com o mundo interessante que se apresenta a mim.

As dicas de hoje sao até meio batidas, mas para que nao conhece, vale muito a pena:

http://www.desdecuba.com/generaciony/ - supreenda-se e quebre paradigmas a respeito da ilha mais utópica e revolucionária do planeta.

http://caderno.josesaramago.org/ - quem já leu algum livro do velhinho, conhece suas ideias, sabe de sua importancia para o mundo.

http://www.lhoveh.blogspot.com/ . extremamente inteligente, é o idoso mais jovem da atualidade. quer aprender a escrever, nao perca seus posts.

Por hoje é só pessoal. Essa é pros saudositas de plantao..


obs: odeio teclados em espanhol!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lenda dos cegos e o elefante

Todos sabem da verdade. Ela está perante a nós todo o tempo, em frente aos nossos olhos, mas nos recusamos a vê-la.

OS CEGOS E O ELEFANTE
(História do Folclore Hindu)


Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda.
Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.
Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
- Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:
- Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes...
- Que palermice! - disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. - Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra...
- Ambos se enganam - retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. - Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia...
- Vocês estão totalmente alucinados! - gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. - Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante...
- Vejam só! - Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! - irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. - Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.
E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.
Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:
- É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pena de morte, pena da vida

Eu sei que a discussão sobre a pena de morte é uma daquelas clássicas discussões eloqüentes tradicionais em bares, alimentada pela lucidez e franqueza trazidas pela cerveja ou qualquer outro meio que te leve a novas sensações, como entorpecentes.
Exatamente por isso que resolvi escrever sobre o tema quando não estou influenciado por nenhuma outra droga como a cervejinha clássica, remédios ou a hipocrisia clássica das pessoas.
Fui, sou e sempre serei apaixonado pela vida. Não só pela minha, mas também pela a dos outros, não só pelas razões passionais que envolvem parentes e amigos, racionais/emotivas que envolvem outros seres humanos, como também porque sempre me surpreendi e admirei a capacidade humana de criar e produzir coisas incríveis, emocionantes, surpreendentes, apaixonantes e infelizmente, revoltantes também, enfim coisas que só a vida é capaz de despertar em mim, sensações, pensamentos, percepções e sentimentos.
Tenho plena consciência que tenho formação dualista, que acredito que há o bem e o mal, o certo e o errado, o bom e o mau, alegria e tristeza, e por aí vai.
Racionalmente também, sei que nem todos são bons e maus ao mesmo tempo, que o mal e bem estão presente em todos, em algum momento. Que podemos estar felizes por uns e tristes por outros. Mas acredito que de uma maneira geral essa dualidade existe, e que ainda que uma ação possa ser boa para uns e má para outros, há uma divisão natural, e não há um compartilhamento simultâneo de duas coisas opostas. Ou seja, você está feliz pela vitória do Brasil e triste pelo choro de derrota do adversário, mas quando você pensa ou sente pelo lado brasileiro está feliz, pelo outro lado está triste, e ainda que seja em momentos temporais próximos, não estão simultâneos.

Assim como todo ser humano tenho a esperança inerente a mim. Tenho também essa dose de esperança anda maior que os outros, o que se tende a se chamar de otimista. E que, em casos como o meu, também são determinados como sonhadores.
Sei que isso pode soar até mesmo ingenuamente, mas acredito na recuperação, na capacidade de arrependimento, na culpa e na transformação.
Acredito nas ações motivadas e movidas pela emoção. Na formação mal construída de um caráter culpa de um ambiente externo cruel e hostil, e que não necessariamente refletem o verdadeiro caráter e intenção de uma pessoa.
Acredito também ter bons sentimentos, ser uma pessoa genuinamente boa, solidária e generosa. Mas como também sou uma pessoa que crê na dualidade, também tenho defeitos na mesma proporção. Sou teimoso, impulsivo e quando não gosto de uma pessoa, sou chato e tendo a ver os aspectos negativos de tudo o que envolve a ela.
Essas características todas combinadas me fizeram uma pessoa algumas vezes lúdica, inocente e irritante. Mas não má.
Tenho consciência das conseqüências de uma lei assim. Sei que possivelmente haverá inocentes que pagarão e que isso não tem preço. Uma vida, que sempre envolve dezenas, centenas, de outras, que produz sonhos, emoções, sorrisos, felicidade, não pode ser desprezada de tal forma, não pode ser vítima da crueldade, do sentimento nada nobre de vingança.
No entanto, como disse anteriormente, meu caráter foi é e construído levando em conta diretamente o ambiente externo no qual está inserido.
E esse ambiente é repleto de maldade, ódio, rancor, insanidade, crueldade. De violência sem limites. De desrespeito à vida humana. De bandidos de todos os tipos, de todas as classes, da intolerância, do mau que se não se cria mas se alimenta da gigantesca desigualdade social, de um sistema que cultua o efêmero, o fútil, que premia a incompetência, o atraso, o narcisismo, a vaidade e a ambição sem limites.
E essa violência dói. Cansa. Revolta. Indigna. E gera mais violência.
E movido por essa violência, ambientado nessa violência, meu coração encontra o caos,a escuridão nesses momentos de revolta. E a emoção busca na razão, motivos para justificar-se.
Argumenta que esses seres demoníacos que tanto mal fizeram e que, honestamente, nunca poderão compensar o mau que fizeram ao tirar uma vida, são apenas gastos, transtornos, pesos para a sociedade.
Deveriam trabalhar, render frutos à sociedade, seria a resposta. Assim poderiam compensar de alguma forma todo o dano causado.
Mas assim como não importou a eles, assassinos cruéis, toda bondade, complexidade, humanidade, que se estendia a todos aqueles que mataram, além de todos que conheciam e que podiam conhecer e passar pela vida desses, também não me importo com a razão nesses momentos.
Não interessa o crescimento do mal, da violência, a bruteza existente na vingança.
Interessa somente a verdade nua e crua.
Que o mundo e a vida fiquem livres desses destruidores da vida, porque se a vida é realmente o mais importante por trás de tudo, por tudo aquilo que envolve, ela precisa se preservar. Precisa eliminar o que não presta. Como qualquer organismo vivo precisa eliminar fezes, excrementos.
A vida algumas vezes precisa da morte.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Formação, caráter e dicas

Sempre pensei sobre o que realmente influi na construção do caráter e na personalidade de uma pessoa. A influência dos pais me parece indiscutível, ainda que não revele a totalidade dos traços pessoais. O meio externo refletido pela cultura da região em que vive e a situação cultural do mundo nos anos de formação pessoal também.
As experiências pessoais, únicas, podem influenciar, claro, mas para mim não são determinantes, especialmente se não refletirem algo traumático ou marcante, anormal ou extremamente incomum e emocionante.
Pessoalmente uma coisa que acredito ter sido bastante na minha vida, inclusive alterando opiniões, traços de personalidade e caráter, não têm nada a ver com os pontos citados anteriormente.
Foram filmes, livros e músicas.
Aqueles que são meus amigos sabem da minha estupenda veia musical. Hermeto Pascoal inveja minha capacidade rítmica, que influencia até mesmi torcidas inteiras no maracanã (caso esse que revelarei mais detalhadamente outro dia).
Por acreditar que a arte possui essa capacidade incrível de influenciar diretamente que resolvi postar aqui algumas coisas que acredito serem impactantes e que podem levar à reflexão. Espero que aqueles que tenham gostos melhores e mais bem trabalhados que os meus possam me ajudar e dar algumas dicas também.

obs 1: velho, suas dicas musicais não serão levadas em conta. Leoni, Menudos, Padre Marcelo Rossi e RGB decididamente não contribuem em nada.
obs 2: marginal alves: pornochanchadas, boliwood e sua maior coleção de pornô do mundo também não interessam nesse momento.

FILMES: Os miseráveis; Durval Discos; Saneamento Básico,o filme; Paradise Now; Os educadores; Invasões bárbaras; Ghost; Sociedade dos poetas mortos

VÍDEOS: Surflus, King Size do Rio de Janeiro, reprise dos gols que tiraram a argentina da copa (já me adiantando)

LIVROS: O tigre branco; O grande mentecapto, Cidade de ladrões, A menina que roubava livros, O livreiro de Cabul.

Obviamente que já vi e li muito mais do que isso, inclusive muito melhores, mas todos esses foram os que por acaso estive em contato durante esse mês, vendo pela primeira vez ou revendo, na grande maioria dos casos, e que acredito que contribuíram bastante para aguçar minha tolerância, lucidez e elevar minha mente ao estado de quase energia em que ela está hoje.
E o Allegra 180 mg já está começando a fazer efeito...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Liberdade limitada

Estava lendo sobre o caso da blogueira cubana que está, até o momento, impedida de deixar a ilha (pergunte o por quê aos nossos amigos social-barbudos, mas não espere resposta sem ao menos cinco parágrafos de críticas ao sistema vendido, injusto e ao terrível império do mal chamado Estados Unidos, União Europeia ou qualquer país com mais de 50 dólares na conta, e essa coisa subversiva chamada internet) e vir ao Brasil participar de algum evento, que não me recordo qual, e comecei a pensar, refletir, divagar, ou seja, botar a mufa pra funcionar, pelo menos para ela não enferrujar de vez.
Os coroas do meu prédio, meus avós, minha tia-avó, os velhinhos que brotam do asfalto e que dominam Icaraí, todas as pessoas de uma idade mais avançada, enfim,todos os seres não jovens como eu, sempre disseram e dizem em algum momento de suas nefastas existências, que sou uma pessoa de sorte, que faço parte de uma geração abençoada que desconhece limites e que nunca antes na história desse país (falando em barbudos loucos que querem dominar o mundo e que amam o poder), ou mundo, houve tamanha liberdade. Liberdade como há agora, jamais.
Agora, segundo eles, é possível viajar para qualquer lugar do mundo em pouco tempo, de falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer hora,rapidamente e de um monte de maneiras diferentes (que eles normalmente não sabem usar), como celulares, rádio, cartas, e-mails, internet e a aparatos tecnológicos de uma maneira geral.
Pode-se falar quase qualquer coisa, a quase qualquer pessoa, desde que não esteja armada ou que seja mais fortes que você. Não há mais respeito, extinguiram a formalidade, enlouqueceram com a falta de limites, com a liberdade total, com a sub-anarquia, com diria algum militante petista na Piauí ou Caros Amigos da vida.
É inegável que o desenvolvimento tecnológico e o progresso científico em geral trouxeram comodidades, facilidades, que diminuíram até extremamente os limites da comunicação, que derrubaram os conceitos de velocidade e distância.
Entretanto isso não quer dizer que se acabaram os limites, que a liberdade, de fato, como sendo a ausência de limites, existe, e que isso nos faz mais sortudos e abençoados que todas as gerações anteriores.
É verdade que hoje há ferramentas como Orkut, MSN, e-mails, telefones celulares, laptops, internet banda larga e 3G, que há companhias áreas, barcos, estradas, que te levam ou te permitem chegar a qualquer lugar do globo, desde a fresquinha Sibéria até o árido e quentinho Saara e falar com qualquer pessoa civilizada no mundo.
Entretanto (palavrinha legal né?) esses inegáveis avanços trouxeram consigo limitadores, barreiras, diretas ou não, perceptíveis ou não. Na maioria das vezes, esses limitantes estão tão dentro do cotidiano, da realidade usual, que nem nos damos conta deles. Estão representados em coisas que você sabe que existe, mas que nunca fez a relação com esses avanços, com as facilidades e comodidades.
É a violência crescente, assustadora, latente, que te faz bloquear pessoas que você não conhece no MSN, que se revela através do roubo de informações, da xeretice, dos perigos que loucos podem cometer usando suas informações e dados pessoais na Orkut e internet, no celular que arma os bandidos, que comanda o tráfico mesmo de dentro dos presídios, é o medo de andar com laptops fora dos limites do lar.
É o telefone sem sinal, os trotes violentos que muitas vezes extorquem pessoas boas e inocentes.
É o medo de viajar sozinho, de ser seqüestrado, preso, barrado na alfândega, da humilhação da exposição pública, das filmagens impróprias, da vigilância do estado, do fim do privado.
Será que somos realmente livres? Que somos abençoados e preferidos pelos deuses (ou Deus, cada um com sua fé, sua espiritualidade, cada um com seu cada um, cada um no seu quadrado). Que temos, verdadeiramente, muito mais sorte que as pessoas de gerações anteriores, que como eles dizem, o mundo é mesmo um mar de rosas?
Pode ser que sim, que somos privilegiados, que realmente temos vidas mais cômodas, mais facilidades, e, acredito eu, realmente temos mais possibilidades e que algumas vezes, parece que o limite só existe até o noticiário de amanhã.
Mas a verdade é que cada geração tem, além de suas peculiaridades, sua facilidades, seus progressos, seus avanços, mas nenhuma estará totalmente livre, ausente de limites, próxima à liberdade total, pois isso não existe.
Se bem que,vendo essas coisas de blogs, discovey kids, multimídias, álbuns digitais na internet, twitter, me veio à mente: essa mulecada de agora tem uma sorte...

Viagens, internas e externas.

Eu sempre gostei de viajar. Para praias semi desertas, cidadezinhas históricas, cidades serranas, pequeninas cidades no meio da neve, parques ecológicos, monumentos turísticos e culturais, cidades que não me lembro, que não gostei, cidades que moraria para sempre. Não importa se a viagem é larga ou curta, custa pouco ou muito, com muitas companhias ou sozinho, se pudesse eu estaria sempre viajando, como se fosse um desses apresentadores de programas de turismo e viagens.

Presumivelmente, isso vem de berço. Meus pais também sempre gostaram e viajaram muito. Também sempre me incentivaram e me levaram desde pequeno em viagens grandes e pequenas. Construíram em mim um hábito que provavelmente iniciou a construção do que é hoje um dos meus maiores gostos.

Deparar-se com o novo, com o imprevisível, com diferenças de qualquer de natureza, sejam elas culturais, estéticas, climáticas, comportamentais, não importa, isso sempre foi para mim, motivante, prazeroso, encantador.

Quando se está diante do novo, também está diante do desafio da independência, da responsabilidade pelos próprios atos. Você está obrigado a escolher seus caminhos, resolver seus problemas, optar por seu rumo, enfrentando seus medos ou não, buscando segurança ou não, trilhando o correto ou errado, tudo da maneira mais natural possível, a primeira vez sempre te possibilita ser apenas você mesmo, fazer da maneira que lhe parece mais normal possível, ainda que isso não seja nada normal para os outros.

Mas para mim o melhor não é o desenvolvimento da independência e da responsabilidade, ainda que isso para mim seja incrível, impagável, necessário, isso é apenas um caminho. O melhor está no final, na chegada, que é o autoconhecimento. Não o maior, mas o mais importante tipo de conhecimento.

Ao estar em contato direto com tudo aquilo que é diferente, quando se está fora da sua zona de conforto, você amplia, exercita sua tolerância, pratica, testa seus limites. E só se pode fazer isso, assim como ser responsável e independente , ao máximo, conhecendo-se a si mesmo, aceitando suas fraquezas, orgulhando-se de suas forças, obrigando-se a aceitar-se, vendo-se como se vê os outros, de outro ponto de vista. E com isso torna-se tão humano, complexo, interessante, como qualquer outra pessoa.

Ao viajar, você não está só deslocando-se espacialmente, está também se explorando internamente, está em contato com aquele seu eu que geralmente está sozinho, isolado, preso no escuro da rotina cotidiana. Isso não quer dizer que você está sozinho, ou que viajar te leve a um caminho egoísta, afastado dos outros ao redor, com seu pensamento focado apenas em seu próprio desenvolvimento e evolução, mesmo que inconscientemente. Ao contrário. Eu por exemplo, nunca gostei de viajar sozinho, sempre fui solidário e carente nessa trilha de crescimento, sempre preferi ter companhias que tornassem mais divertidas e interessantes a realidade, a viagem externa.

E durante as minhas viagens, durante esse meu processo contínuo de autoconhecimento, eu comecei a observar que deveria ser mais permissivo comigo mesmo, deveria ser mais generoso e justo, e que, portanto, deveria fazer quando possível as coisas que gosto e suprir minhas vontades, afinal sou complexo e humano como qualquer um e deveria entender meus luxos e gostos, minhas características, mais do que qualquer outra pessoa, inclusive, e aceitar isso.

Por isso, resolvi que vou começar a viajar mais, sempre que possível. Afinal, eu sempre gostei de viajar.