Estava lendo sobre o caso da blogueira cubana que está, até o momento, impedida de deixar a ilha (pergunte o por quê aos nossos amigos social-barbudos, mas não espere resposta sem ao menos cinco parágrafos de críticas ao sistema vendido, injusto e ao terrível império do mal chamado Estados Unidos, União Europeia ou qualquer país com mais de 50 dólares na conta, e essa coisa subversiva chamada internet) e vir ao Brasil participar de algum evento, que não me recordo qual, e comecei a pensar, refletir, divagar, ou seja, botar a mufa pra funcionar, pelo menos para ela não enferrujar de vez.
Os coroas do meu prédio, meus avós, minha tia-avó, os velhinhos que brotam do asfalto e que dominam Icaraí, todas as pessoas de uma idade mais avançada, enfim,todos os seres não jovens como eu, sempre disseram e dizem em algum momento de suas nefastas existências, que sou uma pessoa de sorte, que faço parte de uma geração abençoada que desconhece limites e que nunca antes na história desse país (falando em barbudos loucos que querem dominar o mundo e que amam o poder), ou mundo, houve tamanha liberdade. Liberdade como há agora, jamais.
Agora, segundo eles, é possível viajar para qualquer lugar do mundo em pouco tempo, de falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer hora,rapidamente e de um monte de maneiras diferentes (que eles normalmente não sabem usar), como celulares, rádio, cartas, e-mails, internet e a aparatos tecnológicos de uma maneira geral.
Pode-se falar quase qualquer coisa, a quase qualquer pessoa, desde que não esteja armada ou que seja mais fortes que você. Não há mais respeito, extinguiram a formalidade, enlouqueceram com a falta de limites, com a liberdade total, com a sub-anarquia, com diria algum militante petista na Piauí ou Caros Amigos da vida.
É inegável que o desenvolvimento tecnológico e o progresso científico em geral trouxeram comodidades, facilidades, que diminuíram até extremamente os limites da comunicação, que derrubaram os conceitos de velocidade e distância.
Entretanto isso não quer dizer que se acabaram os limites, que a liberdade, de fato, como sendo a ausência de limites, existe, e que isso nos faz mais sortudos e abençoados que todas as gerações anteriores.
É verdade que hoje há ferramentas como Orkut, MSN, e-mails, telefones celulares, laptops, internet banda larga e 3G, que há companhias áreas, barcos, estradas, que te levam ou te permitem chegar a qualquer lugar do globo, desde a fresquinha Sibéria até o árido e quentinho Saara e falar com qualquer pessoa civilizada no mundo.
Entretanto (palavrinha legal né?) esses inegáveis avanços trouxeram consigo limitadores, barreiras, diretas ou não, perceptíveis ou não. Na maioria das vezes, esses limitantes estão tão dentro do cotidiano, da realidade usual, que nem nos damos conta deles. Estão representados em coisas que você sabe que existe, mas que nunca fez a relação com esses avanços, com as facilidades e comodidades.
É a violência crescente, assustadora, latente, que te faz bloquear pessoas que você não conhece no MSN, que se revela através do roubo de informações, da xeretice, dos perigos que loucos podem cometer usando suas informações e dados pessoais na Orkut e internet, no celular que arma os bandidos, que comanda o tráfico mesmo de dentro dos presídios, é o medo de andar com laptops fora dos limites do lar.
É o telefone sem sinal, os trotes violentos que muitas vezes extorquem pessoas boas e inocentes.
É o medo de viajar sozinho, de ser seqüestrado, preso, barrado na alfândega, da humilhação da exposição pública, das filmagens impróprias, da vigilância do estado, do fim do privado.
Será que somos realmente livres? Que somos abençoados e preferidos pelos deuses (ou Deus, cada um com sua fé, sua espiritualidade, cada um com seu cada um, cada um no seu quadrado). Que temos, verdadeiramente, muito mais sorte que as pessoas de gerações anteriores, que como eles dizem, o mundo é mesmo um mar de rosas?
Pode ser que sim, que somos privilegiados, que realmente temos vidas mais cômodas, mais facilidades, e, acredito eu, realmente temos mais possibilidades e que algumas vezes, parece que o limite só existe até o noticiário de amanhã.
Mas a verdade é que cada geração tem, além de suas peculiaridades, sua facilidades, seus progressos, seus avanços, mas nenhuma estará totalmente livre, ausente de limites, próxima à liberdade total, pois isso não existe.
Se bem que,vendo essas coisas de blogs, discovey kids, multimídias, álbuns digitais na internet, twitter, me veio à mente: essa mulecada de agora tem uma sorte...
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
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