Eu sei que a discussão sobre a pena de morte é uma daquelas clássicas discussões eloqüentes tradicionais em bares, alimentada pela lucidez e franqueza trazidas pela cerveja ou qualquer outro meio que te leve a novas sensações, como entorpecentes.
Exatamente por isso que resolvi escrever sobre o tema quando não estou influenciado por nenhuma outra droga como a cervejinha clássica, remédios ou a hipocrisia clássica das pessoas.
Fui, sou e sempre serei apaixonado pela vida. Não só pela minha, mas também pela a dos outros, não só pelas razões passionais que envolvem parentes e amigos, racionais/emotivas que envolvem outros seres humanos, como também porque sempre me surpreendi e admirei a capacidade humana de criar e produzir coisas incríveis, emocionantes, surpreendentes, apaixonantes e infelizmente, revoltantes também, enfim coisas que só a vida é capaz de despertar em mim, sensações, pensamentos, percepções e sentimentos.
Tenho plena consciência que tenho formação dualista, que acredito que há o bem e o mal, o certo e o errado, o bom e o mau, alegria e tristeza, e por aí vai.
Racionalmente também, sei que nem todos são bons e maus ao mesmo tempo, que o mal e bem estão presente em todos, em algum momento. Que podemos estar felizes por uns e tristes por outros. Mas acredito que de uma maneira geral essa dualidade existe, e que ainda que uma ação possa ser boa para uns e má para outros, há uma divisão natural, e não há um compartilhamento simultâneo de duas coisas opostas. Ou seja, você está feliz pela vitória do Brasil e triste pelo choro de derrota do adversário, mas quando você pensa ou sente pelo lado brasileiro está feliz, pelo outro lado está triste, e ainda que seja em momentos temporais próximos, não estão simultâneos.
Assim como todo ser humano tenho a esperança inerente a mim. Tenho também essa dose de esperança anda maior que os outros, o que se tende a se chamar de otimista. E que, em casos como o meu, também são determinados como sonhadores.
Sei que isso pode soar até mesmo ingenuamente, mas acredito na recuperação, na capacidade de arrependimento, na culpa e na transformação.
Acredito nas ações motivadas e movidas pela emoção. Na formação mal construída de um caráter culpa de um ambiente externo cruel e hostil, e que não necessariamente refletem o verdadeiro caráter e intenção de uma pessoa.
Acredito também ter bons sentimentos, ser uma pessoa genuinamente boa, solidária e generosa. Mas como também sou uma pessoa que crê na dualidade, também tenho defeitos na mesma proporção. Sou teimoso, impulsivo e quando não gosto de uma pessoa, sou chato e tendo a ver os aspectos negativos de tudo o que envolve a ela.
Essas características todas combinadas me fizeram uma pessoa algumas vezes lúdica, inocente e irritante. Mas não má.
Tenho consciência das conseqüências de uma lei assim. Sei que possivelmente haverá inocentes que pagarão e que isso não tem preço. Uma vida, que sempre envolve dezenas, centenas, de outras, que produz sonhos, emoções, sorrisos, felicidade, não pode ser desprezada de tal forma, não pode ser vítima da crueldade, do sentimento nada nobre de vingança.
No entanto, como disse anteriormente, meu caráter foi é e construído levando em conta diretamente o ambiente externo no qual está inserido.
E esse ambiente é repleto de maldade, ódio, rancor, insanidade, crueldade. De violência sem limites. De desrespeito à vida humana. De bandidos de todos os tipos, de todas as classes, da intolerância, do mau que se não se cria mas se alimenta da gigantesca desigualdade social, de um sistema que cultua o efêmero, o fútil, que premia a incompetência, o atraso, o narcisismo, a vaidade e a ambição sem limites.
E essa violência dói. Cansa. Revolta. Indigna. E gera mais violência.
E movido por essa violência, ambientado nessa violência, meu coração encontra o caos,a escuridão nesses momentos de revolta. E a emoção busca na razão, motivos para justificar-se.
Argumenta que esses seres demoníacos que tanto mal fizeram e que, honestamente, nunca poderão compensar o mau que fizeram ao tirar uma vida, são apenas gastos, transtornos, pesos para a sociedade.
Deveriam trabalhar, render frutos à sociedade, seria a resposta. Assim poderiam compensar de alguma forma todo o dano causado.
Mas assim como não importou a eles, assassinos cruéis, toda bondade, complexidade, humanidade, que se estendia a todos aqueles que mataram, além de todos que conheciam e que podiam conhecer e passar pela vida desses, também não me importo com a razão nesses momentos.
Não interessa o crescimento do mal, da violência, a bruteza existente na vingança.
Interessa somente a verdade nua e crua.
Que o mundo e a vida fiquem livres desses destruidores da vida, porque se a vida é realmente o mais importante por trás de tudo, por tudo aquilo que envolve, ela precisa se preservar. Precisa eliminar o que não presta. Como qualquer organismo vivo precisa eliminar fezes, excrementos.
A vida algumas vezes precisa da morte.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
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