Eu sempre gostei de viajar. Para praias semi desertas, cidadezinhas históricas, cidades serranas, pequeninas cidades no meio da neve, parques ecológicos, monumentos turísticos e culturais, cidades que não me lembro, que não gostei, cidades que moraria para sempre. Não importa se a viagem é larga ou curta, custa pouco ou muito, com muitas companhias ou sozinho, se pudesse eu estaria sempre viajando, como se fosse um desses apresentadores de programas de turismo e viagens.
Presumivelmente, isso vem de berço. Meus pais também sempre gostaram e viajaram muito. Também sempre me incentivaram e me levaram desde pequeno em viagens grandes e pequenas. Construíram em mim um hábito que provavelmente iniciou a construção do que é hoje um dos meus maiores gostos.
Deparar-se com o novo, com o imprevisível, com diferenças de qualquer de natureza, sejam elas culturais, estéticas, climáticas, comportamentais, não importa, isso sempre foi para mim, motivante, prazeroso, encantador.
Quando se está diante do novo, também está diante do desafio da independência, da responsabilidade pelos próprios atos. Você está obrigado a escolher seus caminhos, resolver seus problemas, optar por seu rumo, enfrentando seus medos ou não, buscando segurança ou não, trilhando o correto ou errado, tudo da maneira mais natural possível, a primeira vez sempre te possibilita ser apenas você mesmo, fazer da maneira que lhe parece mais normal possível, ainda que isso não seja nada normal para os outros.
Mas para mim o melhor não é o desenvolvimento da independência e da responsabilidade, ainda que isso para mim seja incrível, impagável, necessário, isso é apenas um caminho. O melhor está no final, na chegada, que é o autoconhecimento. Não o maior, mas o mais importante tipo de conhecimento.
Ao estar em contato direto com tudo aquilo que é diferente, quando se está fora da sua zona de conforto, você amplia, exercita sua tolerância, pratica, testa seus limites. E só se pode fazer isso, assim como ser responsável e independente , ao máximo, conhecendo-se a si mesmo, aceitando suas fraquezas, orgulhando-se de suas forças, obrigando-se a aceitar-se, vendo-se como se vê os outros, de outro ponto de vista. E com isso torna-se tão humano, complexo, interessante, como qualquer outra pessoa.
Ao viajar, você não está só deslocando-se espacialmente, está também se explorando internamente, está em contato com aquele seu eu que geralmente está sozinho, isolado, preso no escuro da rotina cotidiana. Isso não quer dizer que você está sozinho, ou que viajar te leve a um caminho egoísta, afastado dos outros ao redor, com seu pensamento focado apenas em seu próprio desenvolvimento e evolução, mesmo que inconscientemente. Ao contrário. Eu por exemplo, nunca gostei de viajar sozinho, sempre fui solidário e carente nessa trilha de crescimento, sempre preferi ter companhias que tornassem mais divertidas e interessantes a realidade, a viagem externa.
E durante as minhas viagens, durante esse meu processo contínuo de autoconhecimento, eu comecei a observar que deveria ser mais permissivo comigo mesmo, deveria ser mais generoso e justo, e que, portanto, deveria fazer quando possível as coisas que gosto e suprir minhas vontades, afinal sou complexo e humano como qualquer um e deveria entender meus luxos e gostos, minhas características, mais do que qualquer outra pessoa, inclusive, e aceitar isso.
Por isso, resolvi que vou começar a viajar mais, sempre que possível. Afinal, eu sempre gostei de viajar.
Tive a oportunidade de lê-lo ainda no email.
ResponderExcluirViagens nos permetem descobrir mtas coisas.
Vamos descobrindo esse mundo..